Você se lembra? Há 20 anos estreava a novela a indomada

Você se lembra? Há 20 anos estreava a novela a indomada

22/02/2017

 

Há 20 anos, exatamente no dia 17 de fevereiro de 2017, estreava no horário das oito da noite na Rede Globo, um dos maiores sucessos da teledramaturgia Brasileira, a novela “A Indomada”, de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares.

 

A novela  misturava realismo fantástico, cultura nordestina e hábitos ingleses para fazer um retrato bem-humorado do Brasil. Tudo se passava na fictícia cidade de Greenville no interior de Pernambuco.

A atriz Adriana Esteves, viveu a protagonista Helena na segunda fase, e Eulália na primeira como sua mãe.

 

Durante décadas, as fábricas de açúcar e rapadura fizeram daquela região um local deveras abastado. Dentre elas, tinha destaque a Usina Monguaba, propriedade da família mais rica e tradicional de Greenville, os Mendonça e Albuquerque.

 

Tudo começa quando Eulália, a herdeira da Monguaba, se apaixona pelo cortador de cana Zé Leandro, com quem vive um intenso romance. Desconfiado, o irmão mais velho de Eulália, Pedro Afonso, temendo as verdadeiras intenções de Zé Leandro, proíbe o namoro, chegando a ameaçar o rapaz de morte. Temendo pela vida do amado, Eulália ajuda-o a fugir, enquanto ele lhe jura regressar um dia para buscá-la. Meses depois, Eulália dá à luz uma filha dele, Lúcia Helena (conhecida apenas como Helena), a quem ensina a esperar pelo pai.

 

Quinze anos depois, um forasteiro de nome Teobaldo Faruk, filho de pai egípcio (este já falecido) e mãe brasileira, chega à cidade e logo se encanta com Eulália. Todavia, ela ainda espera por Zé Leandro. Por outro lado, Maria Altiva, esposa de Pedro Afonso, humilha Teobaldo, afirmando que um forasteiro "sem eira nem beira" não é digno de se aproximar de uma Mendonça e Albuquerque. Teobaldo jura vingança, e mira um alvo em particular — Pedro Afonso, viciado em jogo e que deve dinheiro a várias pessoas, a quem assinou promissória.

 

Certo dia, Zé Leandro regressa, disposto a fugir com Eulália e Helena e começar com elas uma nova vida, com uma fortuna em pedras preciosas que conseguiu juntar, ao trabalhar num garimpo. Depois de combinar a fuga, ensina a Helena o valor da terra, o que ela jamais esquecerá. Todavia, o barco em que fogem naufraga e Zé Leandro morre afogado. Eulália morre também, pedindo a Helena que confie em Teobaldo, que conseguiu enriquecer.

 

A maquiavélica Altiva consegue convencer Pedro Afonso de que a irmã o odiou e traiu durante quinze anos. Magoado, o marido se recusa a fazer o velório de Eulália em sua casa. Teobaldo descobre e resolve agir: compra todas as promissórias de Pedro Afonso, tornando-se seu único credor e, logo, dono de todos os seus bens. Sabendo-o impossibilitado de pagar a dívida com dinheiro, exige outro tipo de pagamento: o velório de Eulália será na mansão dos Mendonça e Albuquerque e Helena casará com ele. Em troca, Pedro Afonso e a família poderão continuar a morar na mansão e receberão da parte de Teobaldo uma mesada para poderem subsistir. Mantendo a dignidade, Pedro Afonso deixa que seja Helena a decidir e a menina aceita casar com Teobaldo. Este combina com ela mandá-la para Londres até terminar os estudos, só então devendo Helena regressar para casar com o forasteiro, assim acontecendo. Teobaldo conta ter um filho com Helena, para poder juntar o seu sangue ao dos Mendonça e Albuquerque, como forma de completar a sua vingança contra Altiva.

 

Dez anos depois, Helena regressa e casa com Teobaldo, pedindo a usina (que ele ganhou de Pedro Afonso e está parada há anos) como presente de casamento. A sua ideia é reativá-la para dar valor às suas terras de cana-de-açúcar, cumprindo, assim, os ideais do pai. Todavia, após o casamento com Teobaldo, ela se recusa a consumá-lo, o que o deixa fora de si. O conflito dura a novela inteira e os dois vivem uma história de ódio e amor, que movimenta toda a cidade.

 

Eva Wilma viveu umas das maiores vilãs até hoje da história da Televisão Brasileira, Maria Altiva de Mendonça e Albuquerque, como a personagem gostava de ser chamada.

 

Como falamos a novela se baseia no realismo fantástico. O delegado motinha vivido por José de Abreu que cai num buraco e vai parar no Japão. O jovem Emanuel vivido por Selton Melo, cheio de visões e que acaba virando um anjo. Florência vivida por Neusa Borges que retorna dos mortos, ou mesmo Eulália (Adriana Esteves) que reaparece para ajudar a filha. Altiva que foi morreu queimada e virou uma bruxa em meio a fumaça jurando que iria voltar.

 

Mais o maior mistério de todos, quem era o Cadeirudo? Personagem que ataca as mulheres em noite de lua cheia. O Brasil se perguntava, pois em cada aparição vários suspeitos saiam pelas ruas, mas ao final foi descoberto que o cadeirudo na verdade era uma mulher, Lurdes Maria interpretada pela atriz Sonia de Paula, beata que não aceitava mulheres de boa reputação andasse pelas ruas na madrugada.

 

A indomada foi um grande sucesso alcançando mais de 50 pontos, pontos esses que há mais de dez anos nenhuma novela alcançou.

 

A novela teve 203 capítulos e teve seu final no dia 10 de outubro, foi reprisada menos de dois anos depois no Vale a pena ver de novo entre agosto de 1999 e março de 2000. Dos 203 capítulos originais na reprise apenas 154, uma das novelas que mais teve capítulos exibidos no Vale a pena ver de novo.

 

A novela pode ser uma das próximas reprises do Canal Pago Viva do Grupo Globo.

 

por Sidney Sena